Na favela da Vila Prudente

Sou um desastre quando falo… toda minha ansiedade nervosismo me impedem de dizer tudo o que quero. É assim no amor, é assim sempre. Por isso prefiro me expressar escrevendo, me sinto mais à vontade neste meu mundinho de letra, papel e tela.

Ontem, na favela de Vila Prudente, foi a comprovação deste fato: o Feeh Ribeiro pegou a câmera, me deu um microfone e pediu para eu dar uma opinião sobre algo que estava rolando por lá: exibição de curtas-metragens dentro do Festival Internacional de Curtas. Quase morri: ‘ Meu nome é Raquel, sou professora da Vila Prudente e moradora da Prefeitura’… acredito que quem fizer a edição do vídeo vai rir bicas! Por isso, hoje, domingo, resolvi escrever um breve relato para dar conta do que aconteceu.

Nasci no bairro de Vila Prudente, conheço bem os cantos de cá, mas até ano passado não conhecia nada de um: a favela que é simplesmente a mais antiga de São Paulo e leva o mesmo nome do bairro. Antes apenas a observava de dentro do ônibus quando ele passava pela rua Dianópolis e percebia que, diferentemente do bairro, a favela tem vida 24 horas por dia: gente na rua, rindo, conversando, brincado, na roda. Por lá há botecos, açougues, igrejas… tudo, menos os moradores do restante da Vila Prudente.

Tinha a impressão de que a população do entorno fingia que a favela não existia: não se fala da favela fora da favela. Sempre achei estranho, a Vila Prudente é também a sua favela.

Essa minha angústia começou a ser curada por conta do projeto Eco Informação em parceria com as oficinas Kinoforum. Numa dessas oficinas realizadas no Centro Cultural São Paulo – meio longe da Vila Prudente – conheci o pessoal da favela. E foi assim que depois de muito trabalho da equipe do Eco Informação pude ir na favela assistir a curtas-metragens. Foi sensacional ver as pessoas de lá e me sentir bem-vinda. Foi sensacional ver como o cinema projetado a céu aberto, no coração de onde aquelas pessoas moram, ainda mobiliza e emociona.

Ontem ((18/08/2012)), fui à favela mais uma vez assistir filme com seus moradores. Sentar na cadeira, comer pipoca, tomar refri, rir, conversar com o pessoal do Eco Informação e pagar mico diante de uma câmera pronta a registrar a história sendo feita. Estava na alma vibrante de meu bairro, a alma que muitos moradores não querem saber se existe ou não.

Raquel Foresti

Anúncios