Sobre skates e políticas públicas

O Brasil tem se consolidado no cenário internacional em diversos setores. Na economia nos tornamos referência diante das sucessivas crises internacionais. O governo brasileiro tem se tornado um grande consolidador de políticas públicas que visam inclusão social e de reparação.  As minorias têm ganhado voz e o modo progressista de governar vem ganhando espaço em corações e mentes de brasileiros e estrangeiros que veem em nosso país uma potência emergente assemelhando a um vulcão adormecido que entra em atividade que durará por muitos anos.

Este mesmo país que tem o futebol como seu maior patrimônio esportivo, tem aumentado o seu portfolio competitivo ao longo dos anos no vôlei, na natação, judô, MMA, entre outros esportes. Sem falar entre os paraolímpicos onde estamos a cada dia galgando mais respeito internacional.

Mas quero falar aqui de Skate.  Um esporte em que temos grandes campeões. Somos o país do Bob Burnquist, do grande Sandro Dias, nosso Mineirinho. Verdadeiros ícones mundiais da prancha com rodinhas, de origem californiana e  que tem inspirado muitos em nosso país.

Este mesmo país que apoia oficialmente tantos esportes é o mesmo que, através de suas grandes estatais, longe dos veículos midiáticos, coíbem atividades destes promissores representantes do nosso orgulho nacional. Que vivem nas ruas de cidades como São Paulo e são discriminados institucionalmente e estruturalmente como se voltássemos aos tempos em que Jânio Quadros proibiu a sua prática em 1988 nos parques da cidade.

Na Avenida Paulista, palco de grandes manifestações pela democracia e igualdade, nos deparamos com reformas de calçadas de órgão estatais que visam simplesmente a diminuição do espaço para os skatistas.  O extremismo de bancos oficiais que leva seu conservadorismo aos seus limites, tira a possibilidade de pessoas pacíficas e bem intencionadas exercerem sua liberdade sobre rodas e a possibilidade de somarem neste Brasil que é o país do Skate também.

A Caixa Econômica Federal, no coração da avenida mais famosa de São Paulo segue a cartilha do Banco Central, e executa uma mudança visando que os esportistas não tenham em sua ampla calçada, que se comunica perfeitamente com o que há de estrutura pública, um local de encontro de gente boa e descolada. Esta mesma CAIXA que estampa as camisas midiáticas de equipes e atletas de alto rendimento não trabalha na base para a formação e disseminação da cultura deste esporte simpático e que nos orgulha tanto. Mais que isso, deveria chamar os skatistas para discutirem as reformas que melhor se adaptassem a eles para contribuírem para este país que quer ser referência mundial em um monte de coisa mais não trabalha na base.

A base do skate não requer  grandes investimentos em superestruturas como e estádios, velódromos, profissionais especializados, grandes parques aquáticos. O skatista precisa apenas de liberdade para inovar, subverter, inclusive a física e criar uma cultura que tem nas ruas seu maior campo de treinamento.

Se o nosso Brasil quer ser mesmo um país que preza por seus valores genuínos deveria repensar esta política que dá com uma mão e tira com a outra. Que marginaliza quem pode fazer a diferença e  faz com que situações como estas necessitem que um cara que não sabe andar de skate, que não entenda o dialeto que estes caras falam precise escrever sobre algo tão óbvio.

Vamos tentar fazer chegar esta mensagem para bem longe. Quem sabe até a presidenta para que possamos ter esperança de que a Avenida Paulista continue sendo palco de espetáculos sobre rodas e treinamento para os nossos próximos campeões.

Sócrates Magno Torres

Gabriel D. Cobain, em suas experimentações no mundo do skate e na fotografia!
Gabriel D. Cobain, em suas experimentações no mundo do skate e na fotografia!

Nossa vizinho já esteve cá um outra vez, em Sindrome de Sucupira.