Nem deveria reclamar…

Foto de Iana Motta
Foto de Iana Motta

Em Santos, com minha boa amiga Day, falando sobre Salvador… de Salvador passamos pela Stella Maris do Maneco e, depois de um tempo, chegamos ao Pelourinho… do Pelourinho ao Sankofa Bar… do Sankofa Bar à pessoa Sankofa, dono do bar, e então passamos à sua África, sua Gana… de Gana-Salvador/ África-Bahia…. dali ao Brasil e então passamos às políticas eugenistas que massacram minorias em nome de não sei o quê…

Na verdade, você e eu sabemos bem o que é este ‘o quê’: capital, especulação, privilégio, quem pode estar ou nos lugares, na cidade… o sistema? O sistema que se diz para qualquer um, mas que não é para todos? Ah… um país para todos….

A polícia de Salvador, nos cinco anos de existência do Sankofa Bar, se prestou a 30 abordagens. Por 30 vezes o bar foi fechado, por 30 vezes o Sankofa – que é ganês-brasileiro – teve que prestar ‘esclarecimentos’. Salvador é preto, mas o mundo não é dos pretos… este mundo onde não cabem todos.

Mas o que o Sankofa Bar tem de especial? Lugar onde música é tocada, lá onde o Brasil começou a se montar. Música preta, brasileira, latino-americana… humana. Às quartas-feiras rola por lá o Sarau Bem Black. Gratuito. Quem é paulistano e sabe um pouco mais da cidade para além Augusta, Madalena e V. Olímpia reconhece que os saraus não apenas revolucionam os espaços urbanos periféricos, mas também revolucionam as pessoas que habitam estes espaços.

30 abordagens, cinco anos. E, sabe, dizem que o Sankofa – homem preto, africano, brasileiro – nem deveria reclamar! Afinal, nem ‘daqui’ ele é…

Pois é…

Raquel Foresti

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