Mais um relato sobre o direito à cidade

Este relato foi escrito pela Leila Petrini – que já publicou por aqui os textos Pedreiros, Ferrovia Santos-Jundiaí e Embu das Artes – sobre sua ida no último dia 13/06 na passeata do Movimento Passe Livre (MPL) em São Paulo.
Confesso que tenho medo de participar de manifestações em SP. Sempre há  a grande chance de fugir da repressão policial, e eu não tenho preparo algum – sou desligada, estou fora de um melhor condicionamento físico, etc etc. Mas, na terça-feira, dia 11, resolvi perder o medo. Era insuportável ficar em casa vendo as notícias e não fazer nada. Perdi o medo e fui pra paulista. Como vim direto do trabalho, em outra cidade, perdi o começo da manifestação. Como sabia que o centro estava parado, desci andando para lá, vendo o rastro deixado pelos milhares. Tudo em ordem na consolação. Chegando na Roosevelt, alguns também estavam perdidos. depois de alguns contatos telefônicos, seguimos eu e mais umas 10 pessoas para Sé. Não vimos nada na sé, mas um ar de pólvora rondava a João Mendes. soubemos que estavam no terminal Parque Dom Pedro. Indo para lá, 3 pessoas nos abordaram e disseram para não ir, porque a PM tinha cercado o terminal e jogavam bombas. Fiquei impotente – não sabia se ia, para receber bombas, ou esperava para ver se a galera conseguiria sair. Deu ódio de não estar lá por causa do choque. Decidi esperar – o medo imperou. Encontrei o pessoal subindo pra sé, e me juntei a eles. Paramos e decidimos ir à paulista. Subimos via brigadeiro, e lá tive de correr pela primeira vez quando um PM pegou um manifestante logo atrás de mim (bem atrás, mesmo). Corri e fiquei mais pro meio do pessoal. Até o masp, tava tudo bem pacífico – apesar de algumas depredações de meia dúzia de manifestantes, aos bancos, que foi lindo e assustador. Percebi, então, antes de ver e ler as notícias, que não era somente os 20 centavos a causa de tudo. Era o direito à cidade que disputavam. Vi estudantes, trabalhadores, amigos, e vi que o clima de insatisfação por essa cidade fascista estava generalizado, entre todos. Não eram 20 centavos, definitivamente. Chegamos à paulista, fomos até o MASP, e aí corri pela segunda vez: repressão através de bombas e balas. Conseguimos entrar na estação trianon, e fomos embora. Todo o gás e pólvora invadia a plataforma. Muitos tossiam bastante, e coçavam os olhos. Imaginei quem estava lá na frente, recebendo tudo isso. cheguei em casa, depois de tomar uma breja com outros amigos que também estavam na manifestação. saldo: cansaço físico enorme (as pernas, doendo, não me permitiram ir no quarto ato), mas uma satisfação gigante de ver tantos nas ruas. Feliz de estar lutando, dentro das minhas limitações.

Falam por ai… City Jaraguá

Em julho de 2012, publicamos o texto do professor e vizinho nosso João Goto. Desde então, Um ônibus chamado destino… Destino City Jaraguá, como alguns outros textos que moram aqui no Cidadeando, é alvo de buscas cotidianas… de gente querendo saber do lugar, que ônibus passa por lá, como se chega de carro… enfim, coisas do Google.

Só que há dois dias percebemos buscas pra lá de específicas, termos como “confronto com a polícia”, “invasão”, “ônibus queimados”…. Como não achamos nada, mandamos um e-mail para o João perguntando o que estava se passando neste bairro. Segue a resposta que recebemos.

Pois é, a chapa esquentou ontem [dia 04/12]… Na quinta da semana passada, a polícia estava perseguindo dois rapazes de moto e, ao entrarem na rua da escola na qual trabalho, parece que um dos policiais atirou no pneu da moto e os dois rapazes cairam. Como eles estavam sem capacete, bateram a cabeça no chão e morreram. Isso aconteceu bem na frente do portão de entrada da escola.
Ontem, um pequeno grupo de pessoas, inclusive alguns familiares dos rapazes, foram até o local, escreveram algumas mensagens no chão e iniciaram uma passeata pela paz. Ao mesmo tempo, parece-me que a polícia estourou uma refinaria de cocaína na Arábia, um conjunto de ruas muito próximo da escola e do local da morte dos dois rapazes. Enfim, quando deu umas 16h30 / 17h, a casa caiu. Os policiais fecharam as duas únicas ruas que dão acesso ao bairro, os moradores atearam fogo nas ruas e a choque foi acionada… Ainda bem que nada sério aconteceu – não houve troca de tiros e ninguém morreu. Contudo, os professores que lá estavam neste momento ficaram ilhados, pois não podiam sair e nem entrar, tanto de ônibus como de carro.
 Hoje o clima estava horrível. De manhã, o sliêncio na rua era absurdo… Havia muita tensão no ar. Mas deu tudo certo. Acabei de chegar de lá e à tarde as coisas acalmaram bastante, apesar da presença constante da polícia dentro do bairro.
Coisas que só acontecem na periferia…
O próprio João acabou encaminhando uma mensagem com um link, um exemplo de como a mesmíssima coisa foi noticiada pela mídia, pelos grandes portais:

http://noticias.r7.com/sao-paulo/grupo-incendeia-onibus-e-bloqueia-via-em-protesto-no-bairro-do-jaragua-04122012

Termos como “bloquear o trânsito” não são exatamente novidade  nestes portais… mas assusta a frequencia de relatos como este:

“De acordo com o motorista de um dos ônibus incendiados, a ação dos criminosos foi rápida e, entre os passageiros, havia criança.— Tinha criança e obrigaram a gente a descer. Eu peguei a criança e sai correndo. Eles invadiram o ônibus, apedrejaram e botaram fogo. Foi tudo muito rápido, todo mundo correndo.”

Sinceramente, tendemos a acreditar nas palavras de um professor, que sabemos quem é, do que da grande imprensa. Mas, refém dos portais de informação, como saber o que realmente está acontecendo nesta onda de violência paulistana? Complicado, viu…

Raquel Foresti
Sandra Oliveira

Ciudad Enrejada

Hace ya unos 4 años llegué a vivir a la ciudad de Santiago. Prejuicios y en realidad una visión muy lejana de este lugar, una ciudad en la que crecen las construcciones de la noche a la mañana y en la que personalmente no me agrada la ausencia del mar. Pero no todo es tan malo, el lugar está lleno de vida, por un lado un ajetreo urbano en que siempre hay algo que hacer a nivel laboral y por otra parte una cantidad inmensa de actividades a nivel artístico-cultural de las que se puede disfrutar en el día a día.

Vivo particularmente en el centro de la ciudad, en Avenida Portugal con calle Diagonal Paraguay, en una torre construida a finales de los años 60, aún no comprendo como aún no se ha caído. El sector es amable, a excepto por la posta central frente a mi ventana, de donde van y vienen ambulancias alardeando con sus sirenas ante cualquier emergencia… finalmente uno se acostumbra.

A una cuadra de este lugar hay un parque, el “Parque San Borja”, solía ir a jugar basquetbol en los veranos, ahí mismo las jóvenes se juntan a ensayar coreografías y los amantes de los perros se reúnen en grupos con sus mascotas. A otra cuadra de ese lugar está el “Parque Bustamante”, un poco menos popular que el Borja, pero igualmente amable, también a otras pocas cuadras está el “Parque Forestal”, por otro lado el “Parque Alamgro” y así muchas plazas y sectores de esparcimiento como en toda ciudad.

Era por ahí marzo del 2011 y la revuelta estudiantil revivió, energía renovada de jóvenes ignorados por el gobierno en los años 2007 y 2008. Santiago comenzó a inundar sus calles de gentes semana a semana. Iba por ahí Junio y las calles ya no eran sólo de la escolares y universitarios, los distintos sectores de la comunidad comenzaron a unirse, trabajadores, profesores, abuelos y todo quién deseaba una mejora para la sociedad.

Pasaron los meses y la revuelta no cesó, marchas, manifestaciones de todo tipo, intervenciones artísticas, videoclips, conferencias, trabajo de oficina y el ingenio de todos apostando por un mejor país. Pero no hay propuesta social sin contrapropuesta de gobierno, a medida que los meses avanzaban y el asunto se distendía en las oficinas gubernamentales, las calles comenzaron a teñirse de verde, un verde oscuro y agresivo, las fuerzas especiales de los carabineros de Chile, fueron soltadas como perros de cacería en una búsqueda incesante de su presa. De pronto las vías en los días anteriores y posteriores a cualquier manifestación se prestaron para esconder a los efectivos del gobierno que guardan el “bien y el orden” social, llegando al punto de reprimir a la gente antes de que se reunieran en cualquier punto o alineados como un ejercito que va a la guerra con todo su arsenal antes de que alguna manifestación tuviera lugar.

De los golpes… ni hablar… si sueltas a un perro hambriento es fácil saber las consecuencias…

Entonces seguimos en Santiago, ¿recuerda los parques y plazas de los que hablé antes?, los meses han pasado y los lugares siguen ahí. Y como mala hierba en un lindo jardín, las vallas papales han ido creciendo por todos lados y el enrejado enturbia la vista y denota el miedo de las autoridades. Un paisaje de rejas, como una cárcel al aire libre debe ser sorteada por los transeúntes en muchas vías, locales comerciales y bancos que son protegidos por la autoridad como si ahí se guardase el santo grial.

Recuerdo la primera vez que fui al “Paseo Bulnes” y a pesar de estar lleno de edificios del gobierno, era un lugar ameno… hoy camino y sentarme en el césped es imposible, veo un hombre de verde, veo la cerca, y adelante una bandera gigante flameando junto al palacio de la moneda, como si nos dijesen, “que bella patria tenemos”… claramente no es un lugar en el que

quiero estar y vuelven a mi cabeza las ideas que comenté en mi primer párrafo, con eso vuelve la rabia y la impotencia, incluso la vergüenza de no ser capaz de irme de aquí y pasearme por esta ciudad enrejada.

Ignacio Ruiz Alvarez

sobre nosso vizinho: Nacido en Puerto Montt, al sur de Chile. Director y animador stop motion. Gusta del dibujo, la pintura, los cómics, el cine y por sobre todas las cosas viajar y conocer nuevos lugares. Acostumbra encontrar los libros de Saramago en su camino.

A cidade e seu Messias

Vou te falar de quem a tudo se conforma, da insanidade do espaço vazio, do silêncio quisto ou forçado, de uma maioria que goza pela burocracia, pela indiferença, pela violência. Vou te falar do estéril, estático, apolítico, antidemocrático.

Se ocupem, vagabundos maconheiros! Pois o espaço público é privado, restrito, demarcado. Voltem aos bancos escolares e estudem, seus maconheiros filhinhos de papai!

MESSIAS PARA PRESIDENTE!

Meu Messias PM, meu Messias BOPE, meu Messias ROTA, meu Messias que coloca a ordem em seu devido lugar.

Vou te falar… hoje já não tenho tantos amigos… porque eu ocupo o espaço e o faço explodir.

Mas se ontem havia divergências, hoje a pauta é comum:
O ESPAÇO É NOSSO. A UNIVERSIDADE É PARA TODOS. NÓS TEMOS VOZ.

MESSIAS PARA PRESIDENTE!

Seu Messias PM, seu Messias BOPE, seu Messias ROTA, seu Messias que ordena a cidade.

Ei, você, Messias PM… seu nome talvez seja João ou Alfredo ou Vicente…. o que você sente quando dá borrachada em estudante que dormia no chão de uma reitoria? Essa reitoria de uma universidade que também é sua? João ou Alfredo ou Vicente… o que você sente quando dá borrachada em sem-teto que quer morar na região central de SP ao invés de ser expulso da cidade? …. Doce João ou Alfredo ou Vicente… quem é você na quebrada?

Ah, querido Marcos ou Carlos ou Guilherme… você, com seu carro, seu filho da USP… você, trainee bem remunerado, treinado em cursinhos como um soldado em defesa da desigualdade… você com seu energético com whisky…. você que mata, paga fiança e vai passar férias nas Bahamas… você, você, você… tudo é seu… e que esses vagabundos estudantes, professores, sem-teto, sem terra, pretos, bolivianos e bichas se coloquem no seu devido lugar… LONGE DA CIDADE!

MESSIAS PARA PRESIDENTE!

Messias PM, do BOPE, da ROTA…. aquele que dá borrachada em vagabundo maconheiro que teima em querer ter voz política.

Ah, SP madame, querida SP vazia, SP fascista… Messias para presidente?

Um poeta disse que não existe amor em SP… e se não existe amor em SP, se o amor acabou… pois é, pode esperar João, Guilherme, Alfredo, Carlos, Vicente… há pessoas nesta cidade que ocupam os espaços – físicos, políticos, simbólicos – e que vão fazer ISSO AQUI VIRAR O CHILE!

Raquel Foresti