Criolo e seus públicos de São Paulo

Sim! Criolo, que se diz cantor de rap, tem me encantado, não apenas por suas músicas, sua performance, seu dinamismo para transitar entre os ritmos (o próprio rap, samba, dub e outros), mas também – e exatamente devido a esse dinamismo – por conquistar públicos muito distintos. É aquela coisa de que falei numa frase bem generalista “Ele conquista tanto a ‘perifa’ quanto a rua Augusta”.

Pouco tempo depois de discutir rapidamente com a Raquel, encontramos uma matéria na Folha dizendo que Criolo expandiu os limites de seu rap e fez um show na Rua Augusta.

Quando falei essa frase tinha claro já a que grupo pertencemos (Raquel e eu). É o da Augusta. Não conhecemos o Criolo a partir de onde moramos, mas apenas quando ele alcançou outros públicos. E disse “da Augusta”, ainda que o show que programávamos ir fosse em Pinheiros ou Vila Madalena, pois a chegada desse rapper ali me soava muito mais como um eco de sua aparição naquela rua. Fosse há dez anos, faria sentido dizer “público da Vila Madalena”. Mas hoje, pra mim, ele conquista o público da Augusta, aquele lugar aonde hoje as pessoas vão à procura de novos sons, misturas, novas cores, luzes, expressões. Isso quer dizer… eu estava tentando mapear os públicos na cidade. Como se fosse tão simples.

Talvez ele conheça muito bem esse público. Talvez ele seja também esse público, ainda sendo periferia.

Uma das diferenças – sem tirar o mérito de outros artistas que aparecem pela famigerada rua – é como bem disse Fernanda Mena, jornalista da folha: “para além do ‘hype’, de ser o atual objeto do desejo, na carne e na música, MC Criolo tem, sim, o que dizer e mostrar.” E sem meias palavras, ele não deixa de dar tapas na cara de aspirantes a intelectuais, frequentadores da Augusta – grupo que talvez eu me enquadre.

É assim que vejo a letra de Sucrilhos – nó na Garganta. É uma troca. Ele apresenta o seu som modernoso e sua performance que agrada tanto aos augustanos. Mas não deixa de passar seu recado de rapper da periferia.

Sandra Oliveira

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Perifa Augusta

 
Frase de San Brigitte: Criolo atinge tanto a “Perifa” como a rua Augusta………….
 
Moro na Vila Prudente (VP!)… a 15 minutos do centro… e quando era criança, em inícios da década de 90, meu pai ainda dizia que iria à cidade quando iamos ao centro.
 
A VP já foi uma das periferias da cidade, um dos primeiros bairros operários ao lado da Moóca…. só que a cidade cresceu tanto que a periferia se expandiu… e mesmo o que não era mais periferia na década de 90 (como a VP), ainda não era cidade… a cidade era feita para quem era do centro.
 
Mas, aquele centro passou a ser periférico e a periferia se tornou a cidade.
 
Cidade-Perifa. Cidade-Augusta. Augusta-Perifa. Perifa-Augusta.
 
Criolo traduz essa posse. 
 
Sou perifa, sou cidade.
 
Raquel Foresti