Mariana

Mariana não é Ouro Preto. Ouro Preto não é Mariana.

Ouro Preto, popular. Mariana… caseira, silenciosa.

Ouro Preto, tantas ladeiras. Mariana, nem tantas assim.

Mariana, quase natural.

Te aprendi, Mariana, em alguns dias … costumo permanecer dias em lugares onde os turistas passam horas, meia hora, um quarto de hora.

E, Mariana, você era minha.

Na sua Rua Direita – turística, sim e não – caminhei. Cheguei até a Igreja da Sé que não era igual à Catedral que conhecia. Finquei-me longos minutos frente ao seu quebra-vento. Olhava, mirava… muito, muito pausadamente… Quanto sentido há na existência de um quebra-vento!

Mas eu tinha – << tinha!!, segundo padrões ocidentais>> que prosseguir. Continuar, ir adentro, ultrapassar, prosseguir, desvendar.

Paguei 2 reais. Entrei na sua Sé. E quase … não, quase não… Gritei. Por dentro, pelos poros, pela minha respiração, com minha voz.

Coisas que não são cotidianas. Mariana, você não é cotidiana. Mariana não pode ser cotidiana. Ah, aquelas paredes, suas paredes… não as posso revelar porque elas me disseram coisas que não posso partilhar.

Mariana, Mariana, Mariana…Sussurra-me….

Raquel Foresti