Compartilhando experiências com bagagens…

Quando comecei a escrever esse artigo, ri de mim mesma… mas é tão bom podermos rir de nós mesmos!

Pois é, soa bastante estranho eu escrever dicas de como arrumar uma mala de viagem, já que, ao longo de minhas viagens, tive situações bem desagradáveis. Nunca fui boa em arrumar malas. Sempre quis levar a minha casa toda, e cada vez que ficava na dúvida entre levar uma peça de roupa a mais para aquela ocasião especial (que sempre acabava não usando) ou deixar outra peça para trás, acabava levando as duas. Meu pensamento sempre era: na dúvida, leva tudo!

E isso me trouxe situações desagradáveis, ao ponto de até atrapalhar alguns momentos de minhas viagens e chegar a pagar excesso de peso no aeroporto (e não foi apenas uma vez).

Os últimos acontecimentos foram na minha viagem à Espanha e ao Marrocos (outubro a novembro de 2011) onde passaria 30 dias viajando. Fiz uma mala de 17 quilos, além da bagagem de mão (aquela malinha especial onde colocamos quase tudo que não coube na mala máster) e minha bolsa. Achei que estava levando poucos quilos, já que, para a Europa, é permitido voar com duas bagagens de 32 quilos e uma bagagem de mão, e eu estava viajando APENAS com uma mala de 17 quilos e ainda havia muito espaço nessa bagagem.

Quando cheguei em Barcelona, minha amiga Cibele, que é uma viajante frequente, olhou para minha bagagem e falou: “Nossa…como irá se movimentar sozinha com essa malona?

E aí a minha ficha começou a cair… pois não havia considerado que estava viajando sozinha, iria me deslocar para diversas cidades e com diferentes meios de transportes e, consequentemente, diferentes limites de peso de bagagem. Entre uma cidade e outra, até mesmo companhia aérea de baixo custo eu iria utilizar, e o limite de peso permitido nessas companhias é de apenas 10 quilos.

Quando cheguei em Granada, aconteceu a primeira experiência ruim com minha malona. O taxi não entrava na rua do albergue que eu iria ficar, uma rua estreita de paralelepípedos. Fui obrigada a levar minha malona, minha bagagem de mão e minha bolsa, sozinha, andando até o albergue. Quando cheguei lá, a recepcionista olhou para minha mala e disse: “MAMA MIA!” Que raiva senti de mim mesma!

Além disso, meu apartamento era no quarto andar e o albergue não tinha elevador, algo comum na Europa. Comecei a observar as europeias viajando com uma única mochila nas costas e isso me causou inveja… Pensava: será que elas também irão passar 30 dias viajando?

Quando cheguei a Sevilha, comecei a ficar mais preocupada, pois já tinha passado alguns perrengues e o pior estava por vir, pois iria cruzar o Estreito de Gibraltar até o Marrocos, e sozinha. Foi aí que decidi despachar minhas coisas por correio, pois ao longo da viagem pela Espanha já havia feito algumas comprinhas, especialmente para o flamenco, e os 17 quilos já haviam se tornado muito mais.

O dia estava chuvoso. Peguei um táxi e fui até o primeiro escritório de correio. Quando cheguei lá, perguntei os procedimentos para despachar minhas coisas ao Brasil e descobri que o correio na Espanha estava com falta de caixas. Sai buscando caixas em outras oficinas e não encontrei nada. Então comecei a entrar em padarias e lojas, atrás de uma caixa (lembrando que estava chovendo muito). Até que consegui uma caixa e fita adesiva. Voltei ao hotel, coloquei tudo dentro e peguei novamente um taxi para voltar ao correio. A caixa estava muuuito pesada, a chuva não parava e ninguém me ajudou. Cheguei ao correio e consegui despachá-la. No final, meu despacho pesava 19 quilos.

Paguei o equivalente a 120 euros, mas foi a melhor coisa que eu fiz, pois viajei com pouquíssima bagagem ao Marrocos e não preciseimais me preocupar com esse tema.

Depois de quase 10 dias viajando pelo Marrocos, cheguei ao meu destino final, que era o deserto do Sahara, me sentindo leve… Ao chegar ao deserto, a primeira paisagem que me deparei foi com uma família de beduínos vivendo com o mínimo… E, incrivelmente, eles são felizes. Perguntei à senhora que estava na tenda e servia o chá aos viajantes, se ela teria coragem de sair de lá, caso tivesse a oportunidade. A resposta foi clara e objetiva: “Não, essa é minha terra, é aqui que sou feliz”. Naquele momento pude entender a mensagem que o Universo estava querendo me mostrar: buscamos a felicidade no lugar errado. Viajar com mais bagagem não tornaria a minha viagem melhor, pelo contrário… É preciso livrar-se dos excessos e buscar a felicidade e a paz dentro de nós.

Sentei, contemplei aquela imensidão de areia e o por do sol no Sahara, senti a brisa bater em meu rosto, orei e conversei com Deus…

Foi a partir dessa experiência que resolvi mudar meus hábitos de viajar com muita bagagem. Comecei a ler artigos, ver vídeos de dicas e passei a praticá-las, tornando minhas experiências muito mais agradáveis.

E mais, fiz uma faxina geral em casa… doei tudo que não usava mais e abri as portas para o novo.

Graziella Esposito

Sobre nossa vizinha: Turismóloga, nascida na cidade de São Paulo. Apaixonada por dança, especialmente o flamenco, e pelas relações humanas. Acredita que viajar é um dos melhores investimentos, pois possibilita o autoconhecimento, novas experiências e descobertas, tornando a vida muito mais interessante.

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