Pedreiros

Voltei a Embu, voltei a visitar as obras e as favelas. Mas só por um dia. Que foi suficiente para muitas emoções pelo resto da vida.

No começo da semana disse a uma amiga que tinha muito orgulho de ter trabalhado lá. Hoje me senti novamente muito feliz, mesmo com os mesmos problemas de quando estava lá.
Porque ver a alegria dos pedreiros me renovou muita coisa quase esquecida. E ver a felicidade deles me mexeu mais que a alegria dos novos e antigos moradores do Valo Verde. Mais que o jogo de futebol com os filhos de uma delas.

Os pedreiros ficaram felizes pela minha rápida visita a eles. Não sei o que achavam de mim, mas de fato, eles me ajudaram muito no meu começo de experiência de obras. Sempre pacientes, sempre solícitos. Me defenderam quando eu estava sem forças, quando recebi acusações injustas.

Hoje, todos, com mais de sessenta anos, me abraçaram como se fosse uma pessoa da família deles. Rimos com as conversas e com as piadas que nem parece que em algum lugar ainda exista a hierarquia pedreiro/mestres de obra/arquitetos.

Porque, no fim, eles eram os protagonistas. Eram eles quem traduziam minhas “ordens” em um trabalho impecável. Na verdade, nunca os tratei com alguma hierarquia. Pedia um serviço como quem pede um favor a um amigo. E eles, sempre me tratando com respeito.
Fiquei feliz pelo máximo que pude fazer. Mas sei que poderia ter feito mais.

Mesmo com os problemas, mesmo não conseguindo resolver nada, mesmo que eu tenha saído de forma abrupta e, em parte, contra a vontade, Embu fez muita diferença em mim. E vai ser sempre uma das melhores experiências que tive. Porque o aprendizado e as amizades verdadeiras foram infinitamente maiores e melhores que os problemas pelos quais passei.

E hoje, percebo que fiz alguma diferença na vida deles.

Ir pra Embu sempre me afeta muito. Sempre me transforma numa pessoa melhor.

Acho que sempre vou precisar de idas pra lá.

Leila Petrini

Nossa vizinha é arquiteta e já fez 2 textos para o Cidadeando: Embu das Artes e Ferrovia Santos-Jundiai