Anjo Terreno – Augusta Lado B

Augusta

Me aproximei com a pergunta de sempre: “oi tudo bem?”, mas ele me surpreendeu com o novo: “não, não ta tudo bem não… e sabe porque? Por causa da solidão”… foi assim que a conversa com o “pernambucano com muito orgulho”, seu Severiano, começou. Ele mora nas ruas do centro e nos conhecemos na minha querida Augusta. Seu Severiano disse que conhece quase todo o Brasil e que mora em São Paulo há muito anos.

Pela primeira vez na vida, fotografei um estranho a quem pedi que me olhasse nos olhos. Foi assim “seu Severiano, olha pra mim, bem no olho”. Pedi isso três vezes. Acho que ele desaprendeu a ser olhado. Os filhos, a família, as pessoas, ninguém olha seu Severiano como ele é. Eu aprendi que tocar, olhar e sentir o outro vem antes de dar o click.

O título da foto foi dado por Julio que sente um pouco de repulsão por retratos dele mesmo.

Silvia Soldi

Sobre nossa vizinha: Silvia Soldi é um monte de coisas que titularam por ai, tipo historiadora, pesquisadora, colaboradora e afins. Mas ela descobriu seu maior prazer em conhecer a Deus e em seguir Jesus (Yehoshua). E gosta mesmo é de gente, família, amigos, estranhos e gatos!

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Um comentário sobre “Anjo Terreno – Augusta Lado B

  1. Há uma questão moral quando se registra imagens sobre os “outsides”. Muitos são a favor, outros contra. Os do contra dizem que é um desrespeito ao ser humano esse tipo de registro. A conversa é sempre a mesma. “Por que tirar fotos de mendigo eim?”, “Se não vai ajudar o coitado, não o exponha!”. Fico pensando: Então vamos deixar esses sujeitos na invisibilidade? Vamos registrar somente os moderninhos da Augusta que gostam de gastar dinheiro de seus pais? Vamos registrar alguem hype-ultra-nerd-corporation-iphone para que este tenha projeção de sua imagem no facebook? Ok. Não posso mudar a situação do sujeito. Mas posso fazer uma aproximação e tentar saber ao menos seu nome. Ser o antropologo urbano: chegar ao estranho, realizar o contato e tentar observar o mundo atraves dos olhos do outro. Compreender o diferente é compreender a si mesmo. Quem sabe, com essa foto circulando pela internet, alguem pode identificar esse senhor e resgatá-lo! Não tem como saber! A fotografia faz com que o sujeito saia do esquecimento, do invisível e entre pelo menos nas redes sociais. Mas com respeito. Sem registrar essas pessoas como se fossem matéria-prima de memes. Continuemos…isso tambem é cidadania. Dando imagens para quem é invisível.

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