O Centro da Cidade Mágica

Quando eu era pequena, meu pai adorava me levar no centro velho de São Paulo. Com ele, conheci o chafariz da Praça da Sé com aquelas águas jorrando tão altas (acho que nem eram tão altas assim, na verdade a minha altura é que era pouca ainda). A Rua Direita, o Mercado Municipal e a Rua General Carneiro sempre foram muito presentes na minha infância. Na época do Natal, os presépios e os enfeites que eram montados em frente às igrejas e também nas praças, tornavam-se um show à parte. Através de meu pai descobri o que realmente era o Pátio do Colégio que todo mundo falava e eu ainda não entendia. Meu pai, culto como sempre foi, era meu guia turístico naquele lugar.

Passou-se o tempo e trabalhei um ano ali no prédio da Secretaria da Fazenda, um prédio enorme, do ladinho da Praça da Sé, e me orgulhei muito por fazer parte de um lugar que meu pai dizia haver “mais funcionários do que populações de algumas cidadezinhas por aí”. Pude constatar que sim. Era uma correria só, gente subindo e descendo entre um andar e outro com todo tipo de documento que se pode imaginar.

De uma das janelas dali, conseguia ver o prédio do antigo Banco Banespa, que já foi um dos símbolos da cidade.

Atrás de mim, todos os dias, no final da tarde, a grande Avenida do Estado se apresentava, com as luzes dos carros me lembrando de que já estava perto da hora de ir embora e que estava bem longe de casa também…

Quanta saudade…

Aquilo tudo é de uma poesia incrível, e hoje, já sem meu pai para me guiar pela cidade, quando levo meu filho pra andar naquelas ruas, sempre vou com a esperança de que esta poesia não se acabe nunca. Mostro para ele tudo que um dia foi mágico para mim, sempre tentando passar o que seu avô, se estivesse aqui, passaria.

Falar do centro de São Paulo pra mim é sempre prazeroso, adoro quase tudo o que tem lá. E cada vez que retorno, vejo que há muito pra se conhecer ainda, mas não só porque há novos lugares ou somente porque a paisagem mudou, mas também porque agora a poesia mudou. Agora eu me tornei a guia. Aquela que talvez também consiga deixar boas lembranças na cabeça de uma criança, exatamente como meu pai conseguiu fazer comigo.

         Silvana Queiroz

Sobre nossa vizinha: Amante da natureza e da boa leitura, busca entendimento nos mais diversos assuntos. Adora risadas longas e se não existisse chocolate, tentaria criá-lo.

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