Vermelho

Você odiava ficar nas ruas e se fazia isso era porque sabia que eu gostava. Você reclamava sorrindo, docemente, e eu adorava aquele sorriso.

Seu sorriso percorria aquelas ruas comigo também dentro do seu carro vermelho. Nunca entendi a felicidade de ter um carro – você o adorava! O que sei é que eu ficava com você nele só porque sua companhia me era deliciosa e, portanto, o seu carro também me era delicioso.

A gente na rua, no carro. A gente ria na rua, no carro.  Em tudo éramos distintos, sei lá o que víamos um no outro… a gente ria.

O fim foi abrupto, irregular e cruel… nos tratamos mal, afinal, e as diferenças se impuseram.

Não sei quanto a você, dizem que os homens se desligam facilmente. De mim, percebi que fim é bem mais do que um letreiro ao final de um filme. O fim é você ser estapeada por uma lembrança numa esquina qualquer, é olhar para uma avenida e reparar que no mundo só existem carros vermelhos.

Raquel Foresti

texto publicado no fanzine Sulco de Palavrar

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