Cine Belas Artes, mon amour

Na quarta-feira quis ter uma máquina do tempo – Delorean! – e voltar aos dias em que o Cine Belas Artes era vivo.  Estava na Rua Augusta, no cine Unibanco (que agora talvez seja Itaú), e senti uma dor na boca do estômago…

Como senti falta daquelas seis salas onde passavam filmes que quase não temos o direito de ver… com banheiros onde você mijava com vista para a Consolação… com suas cadeiras absurdamente desconfortáveis na sala Aleijadinho….

Eu queria era comprar a pipoca gordurenta na porta, porque era mais barata… conversar com os vendedores de poesia, sua poesia… folhear os posters caros que estavam a venda… rezar para a moça não perceber que minha carteirinha de estudante estava vencida…

Ah, que eu queria o noitão! Meus medos privados em lugares públicos! Queria meus amigos comigo, lá comigo. Queria estar sozinha para depois voar até a Paulista e pairar sobre uma banca de jornal, numa epifania cinéfila.

Queria voltar, voltar… tudo dói, estou aleijada, distante de um lugar de carinho que foi tomado (TOMADO!) pelo auto da propriedade privada.

Raquel Foresti

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7 comentários sobre “Cine Belas Artes, mon amour

  1. Sabe que adorei esse texto? Essa saudade, esse amor pelo passeio, a vista da cidade, a relação com o lugar… se tinha problemas? Claro, bem poderia haver. Mas quem disse que amor é livre de problemas?

  2. Para mim era uma referência, havia motivos para ir para lá… um estado de espírito me levava ao Cine Belas Artes. Era um espaço de referência que foi sequestrado. Não temos que nos acostumar que lugares de valor desapareçam de acordo com a vontade do capital imobiliário paulistano.

  3. Lindo texto. Até hoje sinto vontade de chorar quando penso que meu cinema preferido está lá, fechado há mais de um ano, por causa de uma birra tola de um proprietário que não estava realmente interessado em ganhar dinheiro com o prédio, mas sim se livrar do cinema…

    1. Obrigada pelo elogio, Natália. É o proprietário foi um rolo compressor, desconsiderou a tradição do lugar. Ok, a propriedade é dele… mas o lugar específico ganhou um valor que precisa ser refletido e apropriado pelas pessoas da cidade.

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