Ai, que a grama do meu vizinho é mais verde…

Ai, que a grama do meu vizinho é mais verde… é sim… E como não seria já que seus casais esparramados sorriem e multiplicam-se nela… com cachorros a brincar e a morrer de sede… uma grama de moto com huesillos.

Grama, graminha verde que convida a deitar e a mirar a cidade que te obriga a dormir as 4h da manhã, não te deixa beber na rua e te ensina a ter medo dos carabineiros… na grama verde, verdinha deitamos e olhamos para as paredes que nos revelam do que morre a cidade.

Ah, grama de Santiago que é sim, sim, mais verde… grama que recebe sangue chileno em luta.  Grama de terra tão irregular que pode, a qualquer momento, te engolir num terremoto – com ou sem pisco. Grama que cobre Neruda e que pode desnudá-lo em tsunamis de versos, ondas, tremores e suspiros.

Ai, que a grama do vizinho é mais verde… deito nela e sinto o sol vertical, vertiginoso, alarmante me queimar enquanto congelo com o vento horizontal, gelado e maldito dos Andes.

Mais verde, tão mais verde… e como não seria, se nela estão Ignacio, Leandro e Pablo, que até te fazem esquecer do argentino ao lado…. Ah, a grama destes chilenos rapazes é sim mais verde…

Raquel Foresti

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4 comentários sobre “Ai, que a grama do meu vizinho é mais verde…

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