Cidadeando os Ensaios de Geopoética

Uma instituição marcada principalmente por questões de espaço e política propõe a discussão Ensaios de Geopoética. Esse é o tema da 8ª. Bienal do Mercosul, que acontece em Porto Alegre (RS) até 15 de novembro de 2011.

Partindo do tema, alguns artistas escolheram realizar suas obras marcando e afirmando o lugar no espaço, seja utilizando mapas (Anna Bella Geiger), pontos geográficos (Marcelo Moscheta), ou mesmo falando sobre movimentos de independência nacional, políticos ou nações fictícias (Paulo Climachauska).

Outros artistas, no entanto, procuraram a desconstrução desse espaço. A arte além dos limites, interligando, perpassando, unindo. Usaram a desconstrução de mapas (Marcius Galan e Marina Camargo) e de bandeiras nacionais (Leslie Shows, Luis Romero e Yanagi Yukinori), a construção de bandeiras inter-nacionais, entre outros elementos.

Na mostra Cidade não vista, a curadoria propõe um novo olhar sobre pontos da cidade geralmente não observados no dia-a-dia, através de intervenções como no prédio da antiga prefeitura, em uma escultura sob um viaduto; novas percepções, como os sons da cidade; ou ainda convidam o público a entrar nos espaços que geralmente carregam aura de sacralidade e são pouco visitados, como o Palácio do Governo e o Observatório.

No primeiro dia da exposição aberta ao público, 10 de setembro, foi realizado o Seminário Internacional Ensaios de Geopoética, com diversos convidados. Numa fala brilhante que pretendia homenagear Milton Santos, Maria Adélia de Souza (Professora de Geografia da USP) foi além e sintetizou a proposta da 8ª. Bienal. Abriu discussão para novas ideias de arte e curadoria: não trabalhar com o conceito cartográfico do espaço [e, por consequência, ideias nação, território etc], mas com o conceito de lugar, onde as experiências é que o definem. A arte estaria assim longe de coleção e amontoado de culturas nacionais. Mas de fato na interligação e troca de experiências diversas [que podem ser regionais].

Essas provocações atingem até mesmo o Cidadeando e sua proposta. Continuamos a escrever sobre as cidades como espaços constituídos geopoliticamente (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre), pautados nas suas características específicas; ou pensamos a cidade enquanto espaço de experiências?

A princípio parece simples, mas é bem complexo. No entanto, se o seminário tivesse ocorrido antes da abertura da Bienal (e todos os envolvidos tivessem visto), alguns contratempos teriam sido evitados. Por exemplo, na abertura, não teriam tocado o hino do Rio Grande do Sul [cantado efusivamente pelos locais], e teriam evitado vaias de algumas pessoas que não eram daquele Estado.

Sandra Oliveira

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15 comentários sobre “Cidadeando os Ensaios de Geopoética

    1. Sandra

      O mais engraçado é que uma das obras do Cidade não vista era uma instalação sonora que fazia a desconstrução dos hinos nacionais dos países do mercosul, cantados todos ao mesmo tempo, fundindo numa cacofonia. Mas tudo bem, o Rio Grande do Sul é um país que não faz parte do mercosul rs

  1. Ah, a obra era bacana, mas o seminário da Maria Adélia arrebentou.. foi perfeito. Tudo bem que o hino da abertura era só pro forma, não tinha nada a ver com a curadoria… mas poxa, que isso foi uma gafe.. foi!
    Ah! a história dos “vizinhos” é invenção da Raquel! rs

  2. Raffaella Zampieri

    Parabéns pelo texto San! Adorei como conseguiu sintetizar os temas mais importantes da Bienal.

    Saudades de Porto Alegre.. desde os Tchês e os Bahs até a cia dos novos amigos!

  3. Ainda estou com a questão dos hinos na cabeça…. mas, pensando… a gente sempre tira onda dos gauchos por causo desse orgulho, dessa coisa farroupilha…. mas nós paulistanos, apesar de não saber nosso hino nem lembrarmos direito como é nossa bandeira, asteamos um ufanismo barato, um ar superior, algo cheirando a naftalina que teima em declarar que somos a ‘locomotiva’ do Brasil. Hinos me assustam, mas os paulistanos me assustam mais.

  4. Ah, sim, o Taunay fez um ótimo trabalho. Hoje ng lembra mais dos bandeirantes, mas os paulistanos adoram essa ideia de ser a locomotiva. Mas ai ta a diferença: enqto que para os paulistanos existe a ideia (bem construída e enraizada), entre os gauchos existe até um símbolo e prática (o hino presente nas escolas, nas comemorações e aberturas de bienais que falam sobre a importância de se deixar o cartograficismo para fazer uma arte pautada nas experiências)

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